Estávamos lutando para fazer 2020 acontecer e de repente afundamos com uma das pernas num bueiro de rua com a tampa em falso - foi assim que eu caí, agora de manhã, enquanto caminhava distraído na rua.
Eu levantei. Com o joelho e a mão ralada, roupa suja e poída, sem meu "spray de garganta" - este havia caído lá embaixo e a água o levou... Aff! Segui o meu rumo. Meu preto velho (meu pai, que caminhava comigo) sugeriu: "vamos voltar?". Você acha?
Eu não ia deixar que um bueiro, que nem estava nos meus planos, resumisse a minha manhã de tão agradabilíssima caminhada ao sol. Dei aquela leve lamentada, básica e de lei, dei umas batidinhas na roupa suja e continuei a rota - senti que dava para continuar.
Durante o caminho eu não me esqueci que cai no bueiro - nem podia, eu estava sentindo um leve desconforto onde ralou. Mas, eu também me distraí com a paisagem, com os assuntos do meu preto velho, e reforcei um "aprendizado": "Bueiros são perigosos, melhor se afastar". Fiz o que tinha que fazer, como eu pude fazer e, aí sim, eu voltei pra casa para contar a novidade infeliz para vcs.
Fiquei a pensar sobre a tragédia que estamos vivenciando e o bueiro. Nas pessoas que ficam mais paralisadas pelo horror e desespero da ideia de ter caído em um bueiro, do que pelas reais consequências disso. Me dei conta do que fiz nessa situação: foquei no que estava planejado antes do bueiro, no que eu estava sentindo naquele momento e no como eu poeira adaptar os meus planos depois de ter caído. Gostei disso. As coisas não mudam por mágica, aprender a se adaptar também é preciso!
(Jonathan Julio)
26 Abr. 2020
