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sexta-feira, 2 de julho de 2021

LUCA: AMIZADES E TRANFORMAÇÕES

INTRODUÇÃO

No último final de semana, me emocionei com o filme “Luca”. A mais recente animação da Disney e da Pixar, conta a aventura de um menino peixe, o Luca, que resolve se arriscar no temido mundo dos humanos para viver um sonho de conhecer o mundo. Na companhia dos seus novos amigos, Alberto e Giulia, Luca vai descobrir o pior e o melhor do mundo e precisará, literalmente, silenciar os seus medos e culpas para conquistar a sua “liberdade”.


O ENREDO

O filme é ambientado em um vilarejo na Itália, “Portorosso”, durante o verão - acredito que de propósito, o mês de estreia da animação, junho (18), coincide com o início do verão Italiano. Referências como a gastronomia Italiana aparecem o tempo todo no filme, como por exemplo, gelato, macaron al pesto e peixe.

O enredo conta a história de Luca Paguro, um adolescente de 13 anos, que mora com os pais e a avó materna em um lugar pacato, sem escola, sem atrativos, sem diversão ou amigos, no fundo do mar. Todos eles pertencem a uma espécie de animais marinhos bastante temida pelos humanos. Luca trabalha como uma espécie de “pastor de peixes-cabras” da família.

Sempre obediente, Luca tem na família todos os seus parâmetros a respeito do mundo. Os pais de Luca, querendo protegê-lo dos perigos do mundo, reforçaram regras como nunca subir a superfície do mar e sempre fugir dos barcos que se aproximassem. De fato, havia uma lenda entre os humanos, de que a espécie de Luca eram monstros perigosos e, portanto, deveriam ser mortos. Somente a avó materna de Luca tinha uma perspectiva positivamente diferente a respeito da superfície e lhe contou que já esteve lá.

Luca acaba internalizando todo este medo e se esforça para obedecer aos pais, principalmente a mãe que é bastante controladora. Mas, todo esse medo dá lugar a uma grande curiosidade ao conhecer Alberto Scorfano, da mesma espécie. Alberto é também um adolescente e vive na superfície em um esconderijo longe dos humanos. Após o sumiço do de seu pai, Alberto, precisa se virar sozinho. É nesse encontro, observando a curiosidade de Luca, que Alberto o “puxa” para fora daquele mundo tão desinteressante e sem perspectivas.

Tomado pelo desespero em ter quebrado as regras de sua família, Luca começa a experimentar sensações nunca antes sentidas. Alberto começa a “normalizar” para Luca toda aquela experiência. Ensina-o a identificar as suas preocupações e medos, dando a essas sensações o nome de “Bruno” e, todas as vezes que essa voz falasse, que a ordenasse: “Silêncio, Bruno!”. É aí que nasce uma grande amizade. Ambos começam a sonhar juntos e, então, resolvem encarar o vilarejo “Portorosso” - onde moram os humanos - em busca do que mais queriam: conseguir uma “Vespa” (um tipo de motocicleta) para conhecer o mundo.

Neste vilarejo, os amigos Luca e Alberto, terão de lidar com o pior e o melhor dos humanos. Fora da água, os seus corpos marinhos se transformam em corpos humanos. Porém, ao menor contato com a água eles retornam a forma de peixes. Eles precisam tomar muito cuidado para não serem descobertos e mortos.

Foi nesse lugar que eles conheceram Giulia Marcovaldo - filha de um pescador rude e grandalhão, que sonha em capturar um monstro marinho. Giulia, também adolescente, é uma menina muito esperta e corajosa, filha de pais separados, mora com a mãe e passa as férias com o pai, ajudando-o a vender peixes no vilarejo durante o verão. Após salvar Luca e Alberto de seu arqui-inimigo, o malvado Ercole Visconti, uma grande amizade e parceria se inicia - há muito tempo Giulia tenta vencer Ercole no “Portorosso Cup Triathlon”, uma competição de triatlo local. Giulia diz uma frase emocionante: “os excluídos têm sempre que se ajudar”. Assim, os três amigos resolvem se unir para ganhar a competição.

ANÁLISES

O desejo e o medo - conflito arcaico da espécie humana - são sensações centrais na narrativa dos personagens. É a representação deste conflito - tão comum a nós espectadores - o que, essencialmente, nos conecta aos personagens. O desejo nos mantém em movimento e o medo nos ajuda a avaliar os riscos e a se proteger - ambos são indispensáveis e precisam estar em alternância numa tentativa de equilíbrio.

O desejo como força psico-orgânica motriz (que se movimenta) em direção aos objetos no mundo e o medo como produto da cultura que demarca a nossa identidade e relações sociais, se inter-relacionam em um conflito que se perpetua à medida que nos desenvolvemos. Isso significa dizer que o medo sempre está presente nas escolhas que fazemos ou deixamos de fazer.

Os pais de Luca, em especial a mãe, simbolizam a função/ação do medo: preservação, proteção, censura e controle. Eles transmitem para o filho os seus medos e ansiedades para tentar protegê-lo do perigo do mundo. Isso é um ponto delicado e questionável, devido Luca estar em uma fase do desenvolvimento humano, a adolescência, onde a busca por uma identidade que se individualize da referência familiar e a descoberta de outras perspectivas de mundos, através dos pares (outros adolescentes) é fundamental. Os pais de Luca não conseguem se dar conta da ausência dos recursos que Luca precisava para se desenvolver de maneira saudável.

Contrapondo a perspectiva dos pais de Luca , a avó materna simboliza a função/ação do desejo: transformação, mudança, liberdade e prazer. Pelo fato de ter experimentado descobertas prazerosas fora daquele mundo familiar, a avó de Luca, indiretamente, estimula e apoia o neto na aventura em busca de novas experiências e desenvolvimento.

No que se refere a pautas sociais, a animação não faz referência direta à este ou aquele grupo minorizado. Inspirado nas experiências de vida do Diretor Enrico Casarosa, o mesmo afirma que o filme é sobre a amizade na adolescência, fora do contexto familiar, e sobre as transformações que o contato com outras perspectivas de mundo provocam em nossa identidade. Casarosa reforça que também tem a ver com sair da zona de conforto, viver novas experiências e ser mais corajoso. Com isso, em se tratando de uma obra de ficção inspirada em uma história real - portanto, sem uma compromisso factual -, distintos desdobramentos podem ser dados às discussões a respeito do filme em relação às pautas sociais como feminismo, relações raciais, grupos LGBTQIA +, educação e etc.


RESUMINDO

“Luca” é um o longa-metragem da Disney e da Pixar, ambientado no verão da Riviera Italiana e que narra a aventura do garoto Luca, junto de seus novos amigos, Alberto e Giulia, em busca de seus sonhos. Um segredo pode atrapalhar os planos dos três amigos, Luca e Alberto escondem que, abaixo da superfície da água, são monstros marinhos muito temidos pelos humanos daquela cidade.

Discussões a respeito das características da adolescência como, por exemplo, o distanciamento do grupo familiar e a aproximação dos pares (grupos com outros adolescentes), o excesso de proteção e controle dos pais e o conflito entre medo e desejo são analisados no filme.

A animação deixa clara uma mensagem de que é preciso superar o medo e, às vezes, sair da zona de conforto para conhecer novas possibilidades, mais significativas e satisfatórias, de vida. Mostra também o poder transformador da amizade como uma ponte entre o conhecido e o desconhecido. Os amigos são fundamentais para o nosso desenvolvimento.


PAPO DE BASTIDOR

Espero que tenham gostado desta resenha e quero que compartilhem aqui comigo as suas opiniões a respeito do filme e desta análise. Quero saber de tudo! Já adianto a vocês que estou pensando em fazer uma resenha/análise de um filme nacional que gosto muito, chamado “Boa Sorte”.

Este filme tem como temática central o tratamento da dependência química e seus atravessamentos - este é um tema com o qual, há algum tempo trabalho enquanto Psicólogo. Ele conta a história de Judite e João, dois jovens internados em uma Clínica Psiquiátrica e que se apaixonam. Além da dependência química, Judite é portadora de HIV e, por não haverem mais propostas terapêuticas de tratamento, tem um enorme risco de morte. Ambos viverão uma paixão intensa que mudará o sentido de suas vidas.

Que história, né? É um filme com muitas críticas ao modelo de assistência manicomial e discussões a respeito de direitos humanos da pessoa portadora de doenças psiquiátricas proposta pela Reforma Psiquiátrica e pela Luta Antimanicomial. e estou revendo-o para fazer um texto daqueles pra vocês.

Com ternura, pra você, JJ.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

ATYPICAL: ESTRÉIA DA TEMPORADA FINAL

Vida adulta, independente e cheia de incertezas à vista!


A série queridinha de muitos, “Atypical”, já tem data de estreia da última temporada na @Netflix : 9 de julho. E o drama da temporada são os desafios e escolhas que permeiam a vida adulta.


Os irmãos, Casey e Sam estão saindo de casa para uma vida mais independente. A família Gardner, enfim, tomará rumos decisivos que transformarão as suas vidas.


Conflitos entre zonas de conforto e o medo de novas experiências aparecem como dilemas a serem superados pelos personagens. Sam, o jovem portador de autismo, sente-se inseguro em relação às escolhas profissionais e teme seguir o seu coração. Com mais autonomia, agora morando com o seu melhor amigo Zahid, Sam precisará lidar com muitos desafios e o medo de falhar em suas escolhas.


Já Casey, vai lidar com os estressores relacionados à expressão de sua orientação sexual. Apesar dos conflitos vividos, a personagem mantém um espírito impetuoso e ajudará Sam em suas incertezas.


Quanto ao casal, Elsa e Doug, pais de Casey e Sam, principalmente a mãe, terão de se adaptar a uma nova realidade, o ninho vazio, e com os novos limites na relação com os filhos.


Essa temporada promete ser emocionante!


Gostou da novidade? Se você é fã da série, espalha pra geraaal!


Pra você, JJ.

EU-POETA-SACI

Eu escrevo para viver E viverei até depois da morte Pela vida de minhas palavras Que nunca esgotam os seus sentidos Eu sou um poeta atrevido...